Em país semialfabetizado e que cultiva desprezo gigantesco pela leitura, como o Brasil, sucesso de determinado livro não pode ser aferido apenas pela permanência da obra na lista de mais vendidos dos jornais e das revistas badalados.
Cinquenta tons de cinza, pornô-leve da escritora britânica Erika Leonard James sobre mulher masoquista que se apaixona por homem dominador, está há 29 semanas consecutivas na lista da revista Veja.
Mas o feito não basta para se dizer que se trata de obra popular. Afinal, quantos livros tiveram vendagem idêntica e hoje sequer são lembrados?
Entretanto, Cinquenta tons de cinza parece ter suplantado a barreira dos brasileiros que leem e caído no gosto popular, inclusive daqueles que provavelmente nem mesmo folhearam o romance.
O livro acaba de protagonizar uma piada no Brasil – e isso não é pouco. Antropológica e sociologicamente, as anedotas expoem a alma de um povo.
Pois está lá, na última página da versão brasileira da revista Playboy, edição de fevereiro, enviada pelo colaborador Humberto Silva, pernambucano de Recife:
Quatro homens costumam pescar juntos há muitos anos. Neste ano, no entanto, a mulher do João bate o pé e diz que ele não vai. Profundamente desapontado, João telefona para os companheiros e conta que não pode ir. Dois dias depois, os outros chegam ao local do acampamento e, muito surpresos, lá encontram o João, descansando em uma barraca já armada.
- João, como você conseguiu convencer a “patroa” a deixá-lo vir? – perguntam, intrigados.
- Bem - responde João -, ontem à noite, depois que terminou de ler Cinquenta tons de cinza, minha mulher me arrastou para o quarto. Na cama havia algemas e cordas! Ela me mandou algemá-la e amarrá-la à cama e depois disse: “Agora faça tudo que quiser…” Então eu vim pescar!

3 de março de 2013 - 9:51
Como já dizia minha velha e boa amiga Biza: Até naqueles livrinhos de banca que minha vó lia, chamados Sabrina e etc, tem mais sacanagem do que esse livro aí. Não vale a leitura nem pela safadeza.
5 de março de 2013 - 17:05
Não li e não vou ler, o próprio nome já denigre a obra, cincoenta tons de cinza é muita contradição para um livro que se diz pornô leve.
Ainda se fosse cincoenta tons de verde, azul ou vermelho.
Esperimente ficar olhando para alguma coisa que tenha tanto cinza.