A piada com Cinquenta tons


Por Evaldo Novelini - 2 de março de 2013

Em país semialfabetizado e que cultiva desprezo gigantesco pela leitura, como o Brasil, sucesso de determinado livro não pode ser aferido apenas pela permanência da obra na lista de mais vendidos dos jornais e das revistas badalados.

Cinquenta tons de cinza, pornô-leve da escritora britânica Erika Leonard James sobre mulher masoquista que se apaixona por homem dominador, está há 29 semanas consecutivas na lista da revista Veja.

Mas o feito não basta para se dizer que se trata de obra popular. Afinal, quantos livros tiveram vendagem idêntica e hoje sequer são lembrados?

Entretanto, Cinquenta tons de cinza parece ter suplantado a barreira dos brasileiros que leem e caído no gosto popular, inclusive daqueles que provavelmente nem mesmo folhearam o romance.

O livro acaba de protagonizar uma piada no Brasil – e isso não é pouco. Antropológica e sociologicamente, as anedotas expoem a alma de um povo.

Pois está lá, na última página da versão brasileira da revista Playboy, edição de fevereiro, enviada pelo colaborador Humberto Silva, pernambucano de Recife:

Quatro homens costumam pescar juntos há muitos anos. Neste ano, no entanto, a mulher do João bate o pé e diz que ele não vai. Profundamente desapontado, João telefona para os companheiros e conta que não pode ir. Dois dias depois, os outros chegam ao local do acampamento e, muito surpresos, lá encontram o João, descansando em uma barraca já armada.

- João, como você conseguiu convencer a “patroa” a deixá-lo vir? – perguntam, intrigados.

- Bem - responde João -, ontem à noite, depois que terminou de ler Cinquenta tons de cinza, minha mulher me arrastou para o quarto. Na cama havia algemas e cordas! Ela me mandou algemá-la e amarrá-la à cama e depois disse: “Agora faça tudo que quiser…” Então eu vim pescar!

2 Comentários Para “A piada com Cinquenta tons”

  1. Juliana Nakagawa

    Como já dizia minha velha e boa amiga Biza: Até naqueles livrinhos de banca que minha vó lia, chamados Sabrina e etc, tem mais sacanagem do que esse livro aí. Não vale a leitura nem pela safadeza.

  2. Cesar Guisser

    Não li e não vou ler, o próprio nome já denigre a obra, cincoenta tons de cinza é muita contradição para um livro que se diz pornô leve.
    Ainda se fosse cincoenta tons de verde, azul ou vermelho.
    Esperimente ficar olhando para alguma coisa que tenha tanto cinza.

Comentários

Evaldo Novelini - Jornalismo, Política e Cultura. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Imaginale.